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Um Degrau Abaixo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Emilio Miranda   
Sáb, 25 de Agosto de 2007 14:03

Ontem, na cidade de Pacatuba pertencente à zona metropolitana da grande Fortaleza a civilização brasileira desceu mais um degrau em direção à barbárie...


A ladeira meio que começou com o atentado a um índio em Brasília que foi incendiado por rapazes da classe média. Passou pelo  pelo arrastamento de um garoto e oespacamento de uma doméstica que estava indo para casa depois do trabalho ambos no Rio de Janeiro. Os infantes da classe média foram os autores das tragédias.

Agora, em Pacatuba, periferia da periferia, um homem foi arrastado por um carro conduzido por um grupo de rapazes pelas ruas da cidade. Por sorte ele salvou-se. A cena poderia ser a de um filme de cowboy. Mas, não. Foi perpretada por brasileiros do século XXI. A polícia ainda está investigando se o arrastamento teria sido provocado por um abalroamento com a bicicleta do cidadão ou se o mesmo foi simplesmente amarrado e arrastad pelo carro dos sequazes.

Em tempos remotos os altos sacerdotes do Egito Antigo trancafiaram os sete demônios mais perigosos numa tumba lacrada, assim a sociedade egípcia pôde prosperar. Este velho mito nos adverte sobre os riscos da liberalização inconseqüente. Os demônios foram soltos pela sociedade brasileira. Um a um. Desde do tempo do descobrimento. O ódio dos indígenas com a brutal ocupação portuguesa. O sentimento de revanche dos descendentes da negros escravos. A raiva surda dos que viram a aniquilação do arrail de Canudos do Antonio Conselheiro. O sentimento de revolta com a vida dissoluta e a inconsequência zombeteira dos políticos; desde do império até a república atual. O rancor dos abandonados pela estrutura política e social. Finalizando na irresponsabilidade do ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) que está permitindo o impensável: a subtração de vidas humanas de maneira gratuita. Sem maiores conseqüencias.

Alguém precisa falar que a liberdade não se concede para matar. Que a liberdade individual termina quando se começa a do outro. Que não se concebe que um adolescente tenha este poder. Que o adolescente necessita perceber o quanto isto é grave. Que ele pode sim ser severamente condenado. À prisão perpétua se for preciso, já que a pena de morte seria um retorno à barbárie também. A posição da nação brasileira é ambígua: por um lado ela sofre e quer esboçar uma reação, por outro ela se compadece com suas crianças. Esta ambigüidade é percebida pela juventude, seja de que matiz fôr. Filhos da favela ou do asfalto. É indiferente. A ambigüidade pode levá-la a um parricídio, como descrito por Ray Bradbury em O Homem Ilustrado. É simples assim: os filhos têm impulsos parricidas. Eles não o fazem amiúde por que são interditados. A interdição como descrita por Freud. Eles não são ruins por terem este impulso, que é, nada mais nada menos, um conteúdo mental profundo. Uma condição de ser um humano. Quando a interdição a este conteúdo afrouxa o espaço se abre para a sua concretização simples. O abandono puro e simples dos conteúdos simbólicos.

A nossa sociedade não está desmoronando. Ela jaz quase caída, já faz um certo tempo. Ela não consegue mais lidar com seus filhos. Atos como puxar um cidadão amarrado pela perna com um carro falam por si. A questão é saber se ela ainda tem condições de se reerguer.
 

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