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Identidade Abandonada PDF Imprimir E-mail
Escrito por Emilio Miranda   
Dom, 02 de Setembro de 2007 10:38

Quando estive na Catalunha observei uma luta surda pela identidade catalã. A língua catalã sempre esteve à frente deste resgate, principalmente, durante a ditadura franquista. Este esforço, modernamente, aparece na forma de pequenas escolas de catalão pelas ruas de Barcelona, livros, revistas e periódicos, aliturgia dos cultos e alguns programas de rádio e tv (hoje em dia este panorama deve estar mais expandido devido a regulamentação da comunidade européia para proteção às minorias e suas línguas)


É comovente,também, ver o esforço de parcela da comunidade culta galega por uma norma escrita para a sua língua. Digo parcela, por que aquela parte da sociedade galega que tem interesses comuns com a Espanha já adotou a diretriz franquista em favor de uma grafia espanhola para o idioma galego. Lembro que o galego e o português têm origens comuns, sendo que o português conseguiu se desenvolver por causa de sua independência do domínio castelhano.

O caso galego é emblemático por vários motivos para esta exposição, mas um chama-me a atenção: a norma culta de uma lingua é dependente de uma escrita. Sem uma escrita a língua fica restrita a nichos rurais que não conseguem expandí-la, estabelecê-la enfim. Para ter ambas um povo deve lutar por terrítório, por autonomia política e, principalmente, deve ansiar por uma identidade própria. Com uma língua e uma escrita estabelecida um povo pode engendrar uma civilização que perpetue por eras o seu gênio e a sua visão do mundo.


Feita a introdução, falarei da minha perplexidade. Tem um curso de mestrado na área de psicologia aqui na UNIFOR que está ministrando algumas aulas em inglês. Mesmo que tivessem alunos de origem anglo-saxã, a notícia ainda seria encabulante. Tem um filme que chama-se Albergue Espanhol, no qual o protagonista francês reclamou das aulas em catalão que estava tendo: não havia nada nos formulários do programa de intercâmbio Erasmus que indicasse que se falava algo diferente do espanhol na Catalunha. O professor aborrrecido retrucou que se ele queria assistir aulas em castelhano que ele fosse para Castela ou então para a América Latina. A perplexidade é maior quando se sabe que foram dentro de campi universitários que, por vezes, se aquartelaram alguns dos movimentos de resgate de línguas de minorias. Além do caso galego e catalão tem ainda o valenciano, no qual o próprio movimento de resgate da língua nativa iniciou-se dentro da universidade, apoiando-se na sua autonomia.

Agora aqui no Brasil a situação é bem diferente. A nação brasileira não é uma minoria. A nação brasileira tem um lindo território e uma constituição política e social próprias. A nação brasileira possui rádio, televisão e um parque gráfico-editorial que difundem a sua criação cultural. O nosso sistema escolar é totalmente baseado no dialeto brasileiro do português qua alguns já chamam de idioma brasileiro. Assim como Portugal os nossos vizinhos falam castelhano e nem por isto perdemos a nossa identidade para o espanhol: os brasileiros que moram nas bordas do nosso imenso território ainda continuam sendo compreendidos por todos nós. E mesmo assim, vemos iniciativas como estas. Iniciativas perigosas, por que embutem um abandono de um patrimônio, de uma identidade. Que uma empresa privada faça um wokrshop em inglês é uma coisa. Já uma universidade brasileira em solo brasileiro fazer um curso de mestrado com aulas em inglês, não está certo.

 

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