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Escrito por Emilio Miranda   
Dom, 23 de Setembro de 2007 23:06
Sou um nordestino típico: tenho família em São Paulo. Só que adquiri a minha por tabela, pois nunca morei lá. E nem pretendo, apesar de gostar da cidade como ela é: feia e fedorenta. Conheci a minha adorável esposa aqui mesmo em Fortaleza, lugar que ela escolheu para escapar de um destino, no mínimo, intoxicante.


Pois bem, estando eu por lá um dia, fui abordado pelo meu sogro, João Stellin, com um pedido: trazer um documento para Fortaleza para que uma irmã dele, que estava passando férias por aqui, assinasse-o. No momento que eu estava colocando-o na minha pasta um nome grafado em caixa alta chamou-me a atenção. Indaguei ao meu sogro quem era Jamil Tajra. E ele respondeu-me que era um cunhado seu que tinha morrido a muito tempo de câncer. Eu falei-lhe que conhecia algumas pessoas em Teresina desta família de ascendência síria. Tive até uma colega, a Adriana Tajra que tinha se formado comigo em engenharia elétrica aqui em Fortaleza.

Chegando em casa comentei o assunto com minha esposa. Ela relatou-me que seu pai ficou doente na época do falecimento do tio Jamil. Ele era muito querido por todos e dava atenção especial às crianças com os famosos Raha. Inclusive aquelas comidas árabes que a minha sogra fazia e que eu devorava sofregamente, sempre acompanhado de suas admoestações, foram o legado culinário que ele Jamil deixou para a família Stellin.

Um ano depois, levei-a ao Piauí para conhecer o parque nacional de Sete Cidades. Antes, havíamos passado no parque nacional de Ubajará no Ceará. Fomos ver as opalas em Pedro II e depois esticamos até Campo Maior. O Deusdeth Castelo Branco parou-me no centro da cidade e depois de efusivos cumprimentos e apresentações, convidou-nos para almoçar na fazenda Monte Sinai de sua propriedade.

A casa-sede da fazenda é bem ampla e situada numa elevação, próxima ao núcleo urbano. Lembrei-me de um tempo que sentados naquele alpendre comi um saco de laranjas juntos com outros comparsas. Laranjas de um tipo raro hoje em dia: doces e suculentas.

Depois das apresentações, ficamos alí papeando no alpendre tentando se defender da canícula já bem pronunciada pois era quase meio-dia. Ao sentarmos à mesa, recebi um cutucão nas costelas. Inclinei-me para o lado enquanto escutava uma pergunta da Regina,

-Eles são árabes?

A mesa estava posta com uma variedade grande de comida árabe: coalhada seca, pasta de grão-de-bico, tabule, charuto de arroz com hortelã, quibe, etc. Eu estava muito preocupado em como iria devorar aquilo e nem estava preocupado em saber que tipo de comida era. Mas, num átimo lembrei-me do meu sogro e seu falecido cunhado. Virei-me para a mulher do Deusdeth e perguntei-lhe,

-Jaíra, você teve algum parente em São Paulo?

-Tive sim Emilio, o tio Jamil, Jamil Tajra.

-Pois ele foi tio da Regina também, respondi satisfeito.

Ela olhou para a Regina espantada. Esta então, explicou-lhe quem foi o tio Jamil na sua vida. Foi então que uma das duas senhoras que estavam sentadas na nossa frente falou,
 
-Você conheceu o Jamil? Pois ele era meu irmão.

Aí foi aquela comoção, pois eles se separaram muito novos e nunca mais se viram. Foi a Regina que conheceu-o mais de perto. Ela teve de explicar como ele era, o que gostava, etc. E eu cá com meus botões e com a boca cheia de quibe pensava: como é pequeno este Brasil!

 

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