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O Caballo Loco, uma Ferradura e um Cravo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Emilio Miranda   
Dom, 13 de Janeiro de 2008 15:28

Tem um caballo loco solto na América do Sul. Ele foi solto por Hugo Chavez que usou as esporas de prata do Simon Bolivar para atiçá-lo.

O Chavez esperava que alguns montassem no cavalo mas só o Morales o fez. O Lula e o Kirchner ficaram olhando, achando bonito mas não quiseram montar no celerado. Esta semana colocaram um ferradura no cavalo. Com alguns cravos bem parrudos.

O anúncio da rodovia que ligará o porto de Santos ao porto de Iquique no Chile aponta para uma manobra articulada contra as pretensões chavistas na Bolívia.

encontro lula-bachelet-morales

Na malfadada guerra do pacífico, século XIX, a Bolívia perdeu a sua costa marítima para o Chile. Adicionalmente, ou desgraçadamente, vastas reservas de cobre estão localizadas nesta região costeira. Desde então, a animosidade entre as duas nações nunca cessou. O Chile não discute a questão. A Bolívia nunca deixou de querer discutí-la. Tem ainda a questão do Acre que foi tomado da Bolívia pela ponta de baioneta. Teve compensação posterior. Mas, mesmo esta, ainda hoje é motivo de irritação na Bolívia, por causa dos cavalos que o Barão do Rio Branco deu como afago ao caudilho boliviano da época. Lá vêm os cavalos de novo. O fato é que a Bolívia sente-se usurpada de tudo quanto é lado. Perdeu guerra para todos, inclusive o Paraguai. Aí aparece o Chávez com um discurso sedutor. Perigoso também, mas para quem quer se afirmar isto não importa muito.

Eu falava da rodovia, de sua articulação política. Justamente as duas nações para quem a Bolívia perdeu território e riquezas estenderam-lhe as mãos. Acenaram-lhe com um acesso a dois oceanos, o atlântico e o pacífico de uma vez só. Existem outras implicações. A Bolívia nega-se a vender gás para o Chile. Este por sua vez compra gás da Argentina que compra gás da Bolívia. Vez por outra a Argentina corta o fornecimento de gás para o Chile. E ela não faz por maldade: o consumo de gás aumenta muito no inverno e a Argentina faz tempo que não investe em infra-estrutura. Muito pelo contrário, ela vendeu toda a sua infra-estrutura. Finalizando, o Brasil, o Chile e a Argentina precisam, quase ao desespero, do gás boliviano. O Brasil para sua indústria e os outros dois para aquecimento de sua população. Tudo que os três não querem é uma confusão no único vizinho que tem possibilidades de fornecer-lhes o precioso combustível a um custo acessível. Só que a Bolívia não tem condições de produzí-lo. A oferta da PDVSA para auxiliar na extração do gás não se concretizou. Por outro lado, o Brasil acenou com o retorno da Petrobrás que tem bala na agulha para resolver a questão. Tudo isto está entrelaçado. Mas, para a Bolívia, a questão com o Chile não estava resolvida. Ela continuaria não vendendo gás para o Chile a menos que este se abrisse para uma conversa sobre a questão da costa do pacífico. Então, como num passe de mágica o Lula e a Bachelet são recebidos em La Paz. Além do desmaio do Tarso Genro teve um episódio bem significativo. A guarda boliviana só presta continência para os chefes de estado pela manhã. Prestava, pois o Evo Morales ordenou que ela se perfilasse para a presidenta do Chile às 17:00h (ver foto).

cordialidade

 

Eu não conheço os detalhes do acordão, mas não tenho dúvidas que o fornecimento de gás boliviano para o Chile está atrelado tanto ao acesso cedido pelo mesmo ao pacífico bem como a capacidade da Petrobrás de alavancar a produção de gás boliviana para atender a demanda sul-americana. Nota-se também o caráter construtivo da iniciativa. O Lula mostra-se muito simpático ao Morales, mas só nas solenidades. No trato das questões de estado, o governo brasileiro apresenta-se muito mais cauteloso, movimentando-se com cuidado. Mesmo no caso da desapropriação da Petrobrás. Passado um ano a Bolívia teve de voltar a negociar com o governo brasileiro o retorno da mesma para lá. Pois além de não cumprir o contrato de venda com a Argentina, ela tem uma multa contratual com o Brasil  por falta de abastecimento que não quer pagar. Se isso não bastasse, está faltando combustível internamente. A Bolívia não tem capacidade técnico-econômica para explorar suas jazidas petrolíferas. Só que agora o Brasil exigiu muito mais do que simplesmente um retorno da Petrobrás. Articulou um diálogo com o Chile o algoz e carrasco que tomou a saída da Bolívia com o mar, deixando-a isolada do mundo. Da mesma forma, mostrou também ao Chile que ele não ganhará muita coisa comportando-se como uma ilha dentro da América do Sul. Principalmente, pelo precioso gás que poderá aquecer sua população no rigoroso inverno.

Pois bem, colocaram uma ferradura no caballo loco do Chavez. O Lula fez a vez de ferreiro e a Bachelet forneceu os cravos. O cavalo que corria desembestado agora tem um peso nas patas. Ao invés de correr nas campinas, poderá desenvolver uma marcha na longa estrada que ligará o oceano pacífico ao atlântico. De resto, percebi na imprensa chilena uma notícia dando conta da compra na Alemanha de carros de transporte de tropas de infantaria blindada. Dois regimentos foram criados (ver foto).

marder para exécito chileno 

Esta infantaria acompanha os carros de combate Leopard, os quais, nem o Brasil, nem a Argentina e nem a Venezuela tem similares ate agora. Podem desenvolver até 70km/h sendo dos mais rápidos e eficazes na atualidade. Junte-se a isto os novos caças F16 que a força aérea chilena adquiriu recentemente. Esta notícia saiu no mesmo dia da proclamação do acordo. Pode ser que o cavalo não goste das ferraduras mas o Chile está aí para mostrar que não será tão fácil livrar-se delas, pois faz tempo que o exército chileno, notadamente sua infantaria, é o melhor da américa latina.

 

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