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A Alteridade da Favela PDF Imprimir E-mail
Escrito por Emilio Miranda   
Sáb, 01 de Dezembro de 2007 12:40

Algo intrigou-me durante muito tempo. A noção de seres humanos que certas sociedades antigas tinham. Refiro-me especificamente aos gregos e romanos até a queda do império romano e aos chineses até a queda de sua última dinastia.

Estes povos faziam uma distinção entre eles e os ditos bárbaros.  Estes eram tidos, em linguagem moderna, como uma espécie de humanóides. Pareciam com os seres humanos, assim como, parecem os macacos. A palavra bárbaro vem de uma raiz grega que no português deu balbuciar. Então, temos a primeira distinção que seria de uma ordem lingüistica. Aqueles povos brutos que viviam nos confins do mundo não partilhavam da mesma civilização por que não partilhavam da mesma língua.Em Roma, por sua vez, existia um conceito adicional: o bárbaro era assim chamado por quenão tinha condições também de sustentar uma comunidade com certo grau de sofisticaçãopolítica, como uma república. É bem verdade que os bravos gauleses que enfrentaram as legiões de Júlio César tinham um rei, Vergentorix, que era sustentado por uma baronato.Mas isto nem de longe parecia com uma organização política que envolvia partidos,uma casa senatorial, uma casta religiosa chanceladora de decisões e um consulado como na república romana. Resultado, os gauleses tobaram diante da estrutura romana.Na China o fosso era mais largo. Até mesmo homens como Marco Polo eram considerados bárbaros (muito mais que alguns persas que ousaram ir até lá bem antes do advento de Cristo). Além da linguagem a sociedade chinesa dos tempos imperiais sustentava uma cultura que muito dificilmente seria sequer entendida por um estrangeiro. Desde o simples macarrão, passando por a resolução algébrica de equações contendo x9 e chegando em sistemas filosóficos como o confucionismo e o taoísmo (isto para não falar da tecnologia chinesa cujos produtos mais conhecidos entre nós são a pólvora, bússola a e o relógio mecânico). Ajunte-se a tudo isto o fato de que a escrita silábica não ter se desenvolvido na China. Isto significa que qualquer texto do período clássico pode ser lido por qualquer chinês culto da atualidade. A escrita por ideogramas permite isto, uma expansão temporal do horizonte hodierno da atualidade chinesa fazendo com que o legado do passado seja mais assimilável do que em outras culturas.

Assim temos um quadro de distinções que perpassa por três esferas: a lingüistica, a de organização política e a cultural/filosófica. No fundo, é possível perceber que o que explanei aqui foi uma tentativa de cada um destes povos de lidar com a alteridade. O resultado comum a todos eles foi a simples rejeição do outro, representado pelo bárbaro por um processo de distinção. Pode parecer estranho mas, parece-me muito sábio pois o corpo social poderia preservar o seu núcleo em relação as agressões externas. Focando o nosso Brasil atual, percebo que uma parcela da sociedade brasileira tem uma expressão linguistica diversa da expresão em português culto e coloquial. É como se eles tivessem desenvolvido uma linguagem própria apartada da nossa cultura. É uma linguagem truncada, provinda de um raciocínio tôsco. Eles simplesmente não parecem humanos. Eles têm aparência humana mas não se comportam como tal.

Enfim, eu repudio estas feras como cidadão brasileiro e representante de uma cultura, os bandidos homicidas. Os mesmos que se amontoam nas franjas das grandes cidades. Os mesmos que matam mesmo conseguindo aquilo que pretendem sem resistência. Esta delinqüência macabra, este ovo de serpente que foi gestado dentro da nossa sociedade e que transformou uma parcela dos brasileiros em seres bestiais. Não, eu não sou nazista. Mesmo por que sou mulato. Não, eu não quero o território brasileiro só para mim e aqueles que considero iguais. Eu simplesmente aceito o fato de ser vítima também de um processo que transformou em bestas uma parte significativa da população brasileira. Não, eu não odeio os pobres. Mesmo por que considero-me um e tenho sempre em mente o que o meu pai dizia-me quando criança: "...nós éramos pobres, despossuídos de bens, mas nós não éramos miseráveis, seres sem alma". Inclusive, ao externar esta opinião estou prestando um tributo a ele, que dentre muitas escolhas, preferiu aquela que o levou a objetivos construtivos. Por isto tudo, eu não os reconheço como irmãos,como iguais, estes seres que mais parecem espectros saídos das mais profundas locas da consciência humana. Eles não são humanos para mim. Pertencem a outra estirpe. Uma estirpe degenerada. Eu temo-os, porque sei que o legado que eles podem deixar para minha descendência é um legado de destruição, aniquilação e agonia. As razões sociológicas que nos levaram a este ponto não cabem aqui e são conhecidas por todos. No entanto, na mesma vala em que se encontra a bandidagem do Brasil pode-se encontrar também a súcia de políticos, as vivandeiras alvoroçadas, a quinta coluna, a elite brasileira que por todo estes longos anos desde o descobrimento se locupletou nas tetas generosas da nação, jogando para a senzala os restos de seu lauto banquete.

Última atualização em Sex, 28 de Junho de 2013 08:39
 

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