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A Praia tá Fechada Hoje, Dona! PDF Imprimir E-mail
Escrito por Regina Maria Ramos Stellin   
Qui, 29 de Setembro de 2011 21:22

Voltei a Fortaleza, cidade onde morei, trabalhei, amei, casei e tive um filho, por quase trinta anos. Pude rever algumas poucas pessoas muito gostosas, que deixei por lá, quando migrei, de novo, agora do nordeste para o sudeste. Sou paulistana, mas por escolha, mudei para o Ceará, em busca de uma vida menos ligada as mazelas urbanas que, mesmo à trinta anos atrás, já transformavam o cotidiano do sul maravilha em uma árdua batalha pela sobrevivência. Me acreditem se quiserem!

 

Mas migrei também porque sempre desejei morar de frente para o mar. A cor verde esmeralda dos mares de lá é "estupidificantemente" linda (fui convincente?). Vivi coisas muito boas. Sou do tempo das praias desertas. De Jericoacoara à Canoa Quebrada. Nelas, era possível tomar banho de mar e sol nua, pela ausência de pessoas e não por excibicionismo.

Podíamos circular por qualquer trecho do litoral, a qualquer hora, sem carros nas praias. As caminhonetes "full" ainda não estavam na moda. No máximo algum buggy velho circulando, mas muito pouco. Partilhávamos a natureza de forma bastante democrática.

Pois é! Fui a praia, no Porto das Dunas. Não é bairrismo não,ou talvez seja, mas como conheço uma boa parte do litoral brasileiro graças as andanças da nossa pequena família que tem uma vocação para nômade, talvez por herança cigana de minha parte e índia da parte de meu marido, e posso dizer que esse litoral, básicamente dentro da cidade, é um dos mais lindos, com suas dunas imensas, um rio e uma restinga cheia de coqueiros, daquele tipo de paisagem que se vê em filme. Mas, agora, o acesso não está tão fácil. Os condomínios fechados, um imenso parque aquático e grandes hoteis construíram muitos muros. Então, já não é como era...Frase típicamente de quem está ficando velho e/ou de quem armazena história.

Por isto, embaixo daquele solzão que não deixa nunca de estar presente, me dirigi ao complexo aquático, sonho de todo paulista que vai a Fortaleza e já vai no avião carregando o ingresso e a bóinha. Não para lá me acomodar, apenas para poder acessar a praia. E pode? pelo menos ainda não estão cobrando ingresso para entrar no mar. Ops! melhor não sugerir, o pessoal de Brasília pode gostar da idéia e lançar um imposto salgado...ou molhado?

Tem uns entraves no caminho, o carro tem que ser deixado distante, você é assediado por sujeitos que querem te oferecer passeios de buggy e outras maravilhas da natureza compráveis. Um desses mais insistentes perseguiu-me por um trecho, mesmo tendo levado um não bastante enfático.

Pós preliminares de acesso a praia, deparo com uma cerca de madeira impedindo a passagem. O parque estava fechado e assim eles entendem que a praia também. Voltei para buscar o carro e outro acesso livre para a praia.

O sujeito insistente pareceu contente ao me ver retornando, um certo ar de vingança pelo não recebido e me diz: "A praia tá fechada hoje, dona!"
Continuei meu caminho, embaixo do sol inclemente pensando na estranheza que vou tendo com o país, com seu povo, com o modo contemporâneo. Não se distingue mais a praia do complexo turístico e se acredita que alguém tem o poder, sem licença de fechar a praia. E não é que tem mesmo?

Última atualização em Qua, 30 de Novembro de 2011 20:22
 

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